
A recente decisão do ministro Flávio Dino, do STF, de bloquear R$ 6,1 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha, traz de volta à tona o debate sobre os bastidores do chamado “orçamento secreto”. Diante dos detalhes revelados após a queda do sigilo judicial, a pergunta que não quer calar é: haverá mais envolvidos em ações semelhantes ou o esquema se resume aos parlamentares já citados?
Os indícios apontam que o caso pode ser apenas a ponta do iceberg. A investigação, que integra os desdobramentos da “Operação Transparência” — a mesma que bloqueou R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto —, baseia-se em mensagens e planilhas apreendidas no celular de uma servidora da Câmara. O próprio ministro Flávio Dino destacou a gravidade de pessoas sem mandato controlarem verbas públicas, classificando a prática como crime de peculato-desvio.
Com as ordens de auditoria enviadas à Câmara dos Deputados, à AGU e à CGU, o cerco regulatory tende a se fechar. O prazo de dez dias dado ao presidente da Câmara, Hugo Motta, para apresentar a documentação interna de cada emenda sob suspeita será crucial para definir se novos nomes — sejam de parlamentares em exercício ou de intermediários — surgirão nas planilhas do esquema.
Redacao Plenarioemfoco / Daniella Almeida – repórter da Agência Brasil > foto Divulgacao
