
Cidades funcionais não deveriam expulsar seus cidadãos para as margens. O exemplo da Ocupação Gilberto Domingos, no Rio de Janeiro, acende um debate urgente: por que construir novas residências em locais distantes e desprovidos de infraestrutura, se os centros urbanos estão repletos de prédios abandonados?
A proposta do Ministério Público Federal de destinar o antigo prédio do INSS para habitação social é um sopro de lógica e humanidade. Ao ocupar o centro, as 115 pessoas (incluindo crianças e idosos) mantêm seus vínculos com escolas e trabalhos informais.
Poderíamos ir além: transformar esses moradores em mantenedores do território. Com o suporte financeiro do Governo Federal, esses imóveis poderiam ser revitalizados, e em troca da moradia, os residentes atuariam na zeladoria, manutenção e proteção do patrimônio público e das ruas. É a solução “ganha-ganha”: limpamos a cidade, combatemos o déficit habitacional e garantimos que o coração da metrópole volte a pulsar com vida e segurança.
Uma política pública eficiente deveria focar:
- Recuperação de Ativos: Transformar prédios abandonados há décadas em habitação de interesse social.
- Gestão Compartilhada: Integrar os moradores na manutenção do entorno, criando uma rede de “zeladores do centro”.
- Parceria Federativa: União, Estados e Municípios colaborando para custear a reforma e a assistência técnica.
Dessa forma, a cidade deixa de ter “espaços mortos” e passa a ter comunidades integradas que protegem e cuidam do bem comum.
Redacao Plenarioemfoco / Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil foto MUCA divulgacao
