
Para o aposentado brasileiro, que já se acostumou a ver o fruto de uma vida de trabalho ser alvo de “mãos bobas” e esquemas de colarinho branco, o anúncio de uma nova presidência no INSS é recebido com aquele olhar de quem assiste a tudo de camarote — ou melhor, de palanquim, já que as pernas cansadas e o bolso vazio não permitem muito mais do que observar.
A missão de Ana Cristina Viana Silveira é hercúlea: não se trata apenas de limpar as pilhas de processos atrasados, mas de desinfetar o ambiente. Depois da faxina necessária após as operações que revelaram o sumiço do dinheiro de quem mais precisa, a nova administração se apresenta como a “eficiência caseira”. É a tentativa de colocar quem entende do riscado — uma servidora de carreira — para cuidar do cofre que guarda o suor do povo.
“Para os velhinhos que foram lesados e hoje se veem sem opções, resta a paciência de Jó e a reza forte. A esperança é que a ‘roupa nova’ do Instituto não seja apenas um disfarce para velhos hábitos, e que os ‘carecas e malfeitores’ de terno e gravata encontrem a porta da rua, e não a do gabinete.”
O foco agora é o balcão, a fila e o sistema. Se a nova gestão conseguir converter a “visão sistêmica” em dinheiro na conta do segurado e segurança contra fraudes, talvez o aposentado possa, finalmente, descer do palanquim e descansar com a dignidade que lhe foi prometida. Por enquanto, o país assiste e espera: será que agora a fila anda sem ninguém passar a mão no que não deve?
Redação do Plenárioemfoco / com informações Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil > foto divulgacao
