
A engenharia financeira por trás do “Novo Desenrola Brasil” — instituído pela Medida Provisória nº 1.355/2026 — se vende como a salvação das famílias, estudantes e microempresas. Contudo, por trás da propaganda de “fôlego financeiro”, esconde-se um mecanismo que penaliza o bolso do cidadão para limpar os balanços dos verdadeiros beneficiados: os grandes bancos e corporações que praticam juros abusivos e impagáveis.
Em vez de combater a raiz do problema — as taxas criminosas que deixam o trabalhador “liso” —, o programa atua como um facilitador para que o cidadão continue preso ao ciclo da dívida. A lógica é perversa: as instituições financeiras sufocam o orçamento das famílias com juros estratosféricos e, quando a insolvência é total, o governo intervém não para punir o abuso, mas para garantir que os banqueiros recebam ao menos uma parte, devolvendo o consumidor “limpo” ao mercado para se endividar novamente.
As medidas punitivas e restritivas escancaram essa assimetria. Sob o pretexto de evitar o agravamento financeiro, o programa confisca o patrimônio do trabalhador ao permitir o uso de até 20% (ou R$ 1 mil) do saldo do FGTS para o pagamento de débitos, além de impor o bloqueio do CPF por 12 meses para apostas online autorizadas. Enquanto o Estado dita regras morais e pune o comportamento do cidadão, os juros do “novo crédito” renegociado ainda podem chegar a 1,99% ao mês — uma taxa que continua alta para quem já perdeu tudo. O Desenrola, na prática, não quebra as correntes do endividamento; ele apenas ajusta o tamanho da coleira para que o cidadão continue pagando.
Redação Plenarioemfoco / imagem gerada por IA
