
Tudo começa com eles. Antes que as quadrilhas juninas ocupem os arraiais e a multidão lote o Parque do Povo, o primeiro sinal de que o São João chegou vem do fole. Apoiados pelo compasso do zabumbeiro e pelo tilintar do triangueiro, os sanfoneiros dão vida ao autêntico forró pé-de-serra. A partir dali, a magia acontece: o suor e o arroxo se misturam, a “virada de olho” é inevitável e o amor surge com intensidade renovada a cada ano na tradicional festa da colheita do milho.

Neste 26 de maio, Dia do Sanfoneiro, Campina Grande reverencia os artistas que transformam o instrumento em símbolo de identidade, memória e resistência cultural. No Maior São João do Mundo (MSJM), a regra que atravessa anos é clara e soberana: venha e traga a sua música, mas o som da sanfona é obrigatório.
Da Infância para os Palcos do Mundo
A sanfona em Campina Grande é um elo que atravessa gerações, unindo veteranos e jovens talentos. Um exemplo dessa paixão é Seu Edenir. Seus primeiros encontros com a música aconteceram ainda na infância, com instrumentos improvisados em reuniões de família. O que era brincadeira virou profissão e missão de vida.
“É sempre bom e gratificante levar o nosso forró pé-de-serra para gregos e troianos que participam da festa. É um privilégio levar adiante aquilo que a gente fazia desde criança. E nos palcos do Maior São João do Mundo, então, é uma grande alegria”, celebra o sanfoneiro, que integra a programação das Ilhas de Forró.
Inspirados por gigantes como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca, centenas de matutos sanfoneiros mantêm a chama acesa. Eles atraem o mundo inteiro para Campina Grande, trazendo costumes e estilos regionais que fazem o público se arrepiar nas palhoças, do Palco Principal aos distritos de Galante e São José da Mata.
Coração Pulsante da Festa
Para a organização do evento, a presença desses músicos não é apenas um detalhe, mas a espinha dorsal de toda a celebração.
“Nós consideramos a sanfona um dos fios condutores de todo o evento. Celebramos e valorizamos o trabalho desses artistas, pois os sanfoneiros são parte essencial do que realizamos aqui. Eles estão em cada um dos nossos palcos, reforçando a tradição e a cultura nordestina”, destaca Lorena Martins, produtora do São João de Campina Grande.
Mais do que técnica musical, tocar no MSJM é a realização de um sonho construído em feiras livres e pequenos arraiais do Nordeste. Enquanto houver uma sanfona tocando no Parque do Povo, a herança cultural nordestina seguirá viva, pulsando forte a cada acorde.
Redação Plenarioemfoco / com informações de Texto: Myrlla dos Anjos/ Arte Produções
Fotos: Leydson Jackson
