
A geração 60+ sustenta, administra e, em muitos casos, orienta as famílias brasileiras. Mas o que acontecerá quando essa parcela da população já não puder continuar trabalhando, produzindo e assumindo responsabilidades que hoje vão muito além da aposentadoria?
Um levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados revela a dimensão desse papel: brasileiros com 60 anos ou mais chefiam ou participam da gestão do orçamento em cerca de 21,6 milhões de domicílios, o equivalente a 32% dos lares do país. Com renda média mensal de R$ 3.865, essa faixa etária apresenta o maior rendimento médio entre os grupos analisados.
Em 87% dos lares onde vivem, os 60+ são responsáveis pela chefia ou pela gestão compartilhada das despesas. Isso mostra que sua importância não se limita aos benefícios previdenciários. São pessoas que continuam movimentando a economia, ajudando filhos, netos e outros familiares, administrando a casa e, muitas vezes, sendo a principal referência financeira e emocional do núcleo familiar.
O dado, porém, também provoca uma reflexão: quem assumirá essas responsabilidades no futuro?
O Brasil precisa discutir não apenas o envelhecimento da população, mas também a preparação das novas gerações para o trabalho, a autonomia financeira e a adaptação às transformações de um mundo cada vez mais competitivo e globalizado. Não se trata de desvalorizar as políticas sociais, que são importantes para garantir dignidade e proteção, mas de questionar como construir oportunidades para que elas sejam acompanhadas de educação, qualificação, iniciativa e capacidade de produção.
A pesquisa mostra ainda que 8,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais permanecem no mercado de trabalho. Mais da metade é empreendedora, e 72% dos empreendedores dessa faixa etária atuavam sem CNPJ em 2025. Ou seja, mesmo diante das limitações da idade e da informalidade, essa geração continua fazendo sua parte.
O alerta é para o futuro: uma sociedade não pode depender indefinidamente do esforço de uma geração que envelhece sem preparar adequadamente aquela que vem depois. É preciso estimular o estudo, o aprendizado contínuo, a qualificação profissional, o empreendedorismo e a valorização do trabalho, para que os jovens tenham condições de construir sua própria trajetória e contribuir para o desenvolvimento do país.
A geração 60+ já demonstrou sua capacidade de sustentar, administrar e orientar. A questão agora é saber se o Brasil está preparando os que vêm atrás para assumir, com responsabilidade e autonomia, o seu lugar.
Redaçao plenarioemfoco / com informaçoes de Bianca Mingote/Brasil61 > Foto: rawpixel.com/Magnific.com
