
Entre 2010 e agosto de 2026, a União repassou apenas 29,3% dos R$ 38,7 bilhões prometidos para ações municipais de Defesa Civil no mesmo exercício orçamentário. Dos recursos anunciados no período, somente R$ 10,6 bilhões chegaram efetivamente às prefeituras. Os dados fazem parte do Boletim El Niño 2026/2027, divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Na divisão regional dos prejuízos provocados por desastres entre julho e agosto de 2026, o Nordeste foi a região mais afetada, acumulando R$ 3,9 bilhões em perdas. O Sudeste aparece em segundo lugar (R$ 2,2 bilhões), seguido pelo Sul (R$ 1,2 bilhão), Norte (R$ 772,8 milhões) e Centro-Oeste (R$ 176 milhões).
Ao todo, o impacto econômico no país ultrapassou R$ 8,2 bilhões em apenas dois meses, afetando mais de 4,7 milhões de pessoas em 641 municípios. A agricultura lidera o ranking de perdas no setor produtivo, somando R$ 4,16 bilhões.
Aumento do orçamento e incertezas para 2027 Para o próximo ano, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) prevê R$ 1,8 bilhão para o programa de Gestão de Riscos e de Desastres — valor superior aos R$ 645 milhões iniciais de 2026. Contudo, a CNM alerta que, apesar do anúncio federal de R$ 1,3 bilhão para enfrentar o El Niño 2026/2027, não há cota específica garantida para transferência direta aos municípios, mantendo as gestões locais dependentes dos trâmites habituais de repasse.
O cenário exige atenção urgente: segundo a NOAA, há mais de 90% de chance de o El Niño atingir intensidade “muito forte” entre o fim de 2026 e o início de 2027, podendo superar marcas históricas registradas desde 1950.
Redaçao plenarioemfoco / com informações de Marquezan Araújo/Brasil61 > Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
