
No exercício do jornalismo, somos a voz profissional dos fatos. Embora cada indivíduo possua suas inclinações políticas, o compromisso ético exige que o conhecimento técnico jamais seja contaminado pela militância na escrita diária. No entanto, o cenário brasileiro atual nos coloca em uma posição de vulnerabilidade extrema. Estamos à mercê de grupos polarizados: de um lado, os que celebram o fato apenas quando lhes convém; de outro, os que tentam silenciá-lo.
Vivemos em um país onde o interesse público frequentemente colide com a ganância, o poder e, infelizmente, o crime organizado. Somos sobreviventes de um sistema de interpretações jurídicas elásticas e de um crescente “assédio judicial” — o uso da lei como ferramenta de intimidação.
Como bem destacado na recente reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS), a liberdade de imprensa não é um privilégio do jornalista, mas um direito da sociedade. Obstruir a informação, seja por violência direta ou pela sutil autocensura, é um delito contra a democracia. Se os índices de liberdade caem e as agressões aumentam, o que está em jogo não é apenas a segurança de uma categoria, mas a
capacidade do cidadão de tomar decisões baseadas na verdade.

O Fato não se Negocia
Somos a voz dos fatos, mesmo quando o mundo ao redor tenta nos rotular politicamente. O Código de Ética é nossa bússola: a divulgação da informação precisa é um dever; sua obstrução, um crime.
Hoje, o jornalismo brasileiro respira por aparelhos, sufocado pela desinformação, pelo discurso de ódio e pela impunidade. Enfrentamos o crime organizado, a corrupção e o uso estratégico do Judiciário para calar a notícia.
Não buscamos comemorações vazias no Dia da Liberdade de Imprensa, mas sim o direito de exercer nossa profissão sem medo. Sem jornalismo livre, a história é escrita pelos vencedores, não pelos fatos.
Redacao Plenarioemfoco / com informacoes da Agência Câmara de Notícias > foto Kayo Magalhães
