
O que era para ser uma vitória histórica aprovada no Senado virou mais um capítulo de enrolação no Congresso. A aprovação da implantação gradual do piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas (PL 1.365/2022) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nada mais é do que o famoso “drible de arrudeio”.
Em pleno ano eleitoral, a promessa de um piso digno de R$ 13.662 para 20 horas semanais foi fatiada em três anos (40%, 70% e só depois 100%). Um verdadeiro enroleixo negociado sob a desculpa de “adaptação fiscal”, mas que cheira a puro jogo de conveniência política e troca de favores para equilibrar vontades partidárias.
É verdade que a manutenção da compensação integral pela União via Fundo Nacional de Saúde (FNS) e o reajuste anual pelo IPCA foram salvaguardas importantes. No entanto, fatiar um piso salarial defasado há anos demonstra como a valorização da saúde pública continua sendo moeda de troca e equilibrismo político.
Garantir dignidade e conter a evasão de profissionais da saúde pública não combina com prazos a perder de vista. A categoria não precisa de promessa a prestação; precisa de valorização de fato e já.
Redaçao plenarioemfoco / com informaçoes da Agência Senado > foto: Geraldo Magela/Agência Senado
