
O desaparecimento de pessoas no Brasil segue em alta e desafia as autoridades de segurança pública. Dados do mais recente Anuário de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontam que o país registrou 84.269 casos de desaparecimento em 2025 — uma taxa de 39,5 casos para cada 100 mil habitantes e um crescimento de 3,6% em relação a 2024.
O levantamento revela que, após uma queda acentuada entre 2019 e 2020 (período impactado pelas restrições da pandemia), os números voltaram a subir a partir de 2021 e mantêm uma trajetória de alta contínua.
Destaques estaduais e disparidades
Entre as Unidades da Federação, três estados apresentaram os maiores aumentos percentuais nos registros entre 2024 e 2025:
- Minas Gerais: +30,5% (maior alta do país)
- Maranhão: +29,8%
- Piauí: +20,5%
Outros estados com altas expressivas foram o Pará (+12,9%) e o Rio Grande do Norte (+11,6%). Na contramão, as maiores reduções no número de registros ocorreram no Amapá (-8,9%), Mato Grosso (-8,4%) e Sergipe (-7,4%).
Em números absolutos, São Paulo — estado mais populoso do país — lidera o ranking com mais de 17 mil registros em 2025, seguido pelo Rio Grande do Sul (7.661) e Minas Gerais (mais de 6,6 mil). No mesmo período, 61.305 pessoas foram localizadas em todo o território nacional.
As causas e os desafios de diagnosticar o fenômeno
Entender o que impulsiona essa escalada ainda é um enigma para os órgãos públicos. O estudo ressalta que não é possível vincular diretamente o aumento dos desaparecimentos a disputas do tráfico de drogas. Contudo, aponta que Maranhão e Piauí estão localizados em áreas citadas pela publicação Cartografias da Violência na Amazônia como territórios de conflito entre organizações criminosas.
Já o caso de Minas Gerais chama a atenção: o estado teve a maior alta do Brasil mesmo sem registrar um histórico recente de disputas entre facções comparável ao dos demais líderes do ranking.
Segundo o FBSP, os dados atuais refletem limitações nos sistemas de registro e uma legislação que não abrange todas as possíveis naturezas de um desaparecimento. Para a entidade, conter o problema exige uma articulação integrada entre as forças de segurança, visando mapear vulnerabilidades regionais e estruturar protocolos de enfrentamento adequados.
Perfil das vítimas
Os dados do anuário também traçam o perfil predominante dos desaparecidos no Brasil:
- Gênero: 64,9% dos casos envolvem pessoas do sexo masculino.
- Faixa etária: 64,4% das ocorrências concentram-se em adultos entre 18 e 59 anos.
Redaçao plenarioemfoco / a Reportagem de Bianca Mingote/Brasil61 / Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
