
A cinco meses das eleições, o cenário político brasileiro entra naquele ritmo folclórico e perigoso que todos conhecemos bem. É a temporada oficial do “empurrar com a barriga”, do comer pelas beiradas e daquele fogo de monturo — que não se vê a chama, mas a fumaça do oportunismo sufoca qualquer debate sério.
Até o dia 3 de outubro, o roteiro está escrito:
- Tribunas Inflamadas e “Enroleichon”: Discursos vazios sobem o tom para as redes sociais, enquanto o quórum real desaparece nas “saidinhas” estratégicas do plenário (inclusive nos virtuais).
- O Brasil dos Projetos Piloto: Enquanto o bolso do brasileiro fura, o fundo partidário transborda. O que vemos é uma “tuia” de programas de fachada e projetos de palanque que têm validade curta.
- A Pauta da Gaveta: Assuntos urgentes, como a melhoria das condições de trabalho e reformas estruturantes, vivem no “abre e fecha” das gavetas legislativas. O tempo voa, mas a solução não sai.
O Jogo das Conveniências
Enquanto a economia real sangra mais que açude em época de cheia, o pragmatismo eleitoral dita a urgência de temas que passaram anos esquecidos. De repente, a Comissão Especial acelera o teto do MEI e instalam-se subcomissões para os povos Yanomami — lembrados pontualmente a cada ciclo de votos.
Até as autoridades mirins, ‘de olho’, já aprenderam o ritmo da valsa. Sancionam-se leis para novas varas federais e celebra-se a “capacidade de diálogo” como homenagem aos 200 anos da Câmara, mas, na prática, o diálogo parece ser apenas entre os pares, ignorando o fumo que sobra para o cidadão comum.
Até outubro, a pegada é uma só: o governo e os legisladores nos enrolam com a maestria de quem sabe que, na política, o que conta não é o que se faz, mas o que se parece estar fazendo.
Redação Plenarioemfoco / com informacoes de momento > imagens gerada por IA
