
Como num saco furado, por mais que se coloque dinheiro, a conta nunca fecha. De um lado, os números do endividamento público não param de crescer e alimentam a alegria de poucos beneficiados; do outro, a população trabalhadora colhe apenas incerteza, insegurança e um custo de vida cada vez mais pesado.
Um estudo encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e apresentado pela auditora do Tesouro Nacional, Selene Peres, expõe o tamanho do abismo fiscal brasileiro: no acumulado de 12 meses até junho de 2026, o Brasil pagou assustadores R$ 1,16 trilhão apenas em juros da dívida. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que historicamente oscilava entre 60% e 70% do PIB, saltou para 81,9% (R$ 10,8 trilhões) — com projeções alarmantes de alcançar 95,7% até 2030.
O diagnóstico aponta uma contradição perversa: a arrecadação bate recordes — com a carga tributária federal subindo mais de 2 pontos percentuais em apenas dois anos —, mas o déficit primário persiste. Mais de 60% dos R$ 2,3 trilhões gastos em 2025 foram consumidos por despesas obrigatórias (Previdência e Assistência Social), sufocando investimentos vitais em Saúde (10,4%), Educação (8%) e infraestrutura.
Aumentar impostos em um orçamento sem controle e sem avaliação de resultados é alimentar a ineficiência. Como defende a CNA, o país precisa com urgência de responsabilidade fiscal genuína, simplificação de regras e melhoria na qualidade do gasto público. Sem reformas estruturais que estanquem a sangria, o crescimento continuará travado — e a conta do desequilíbrio continuará caindo no colo de quem acorda cedo para trabalhar.
Redaçao plenarioemfoco / com informaçoes de Paloma Custódio/Brasil61 > Foto: José Cruz/Agência Brasil
