
Com a suspensão das exportações de produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia a partir desta quinta-feira (3), a pergunta que não quer calar é: haverá mais oferta no mercado interno e alívio para o bolso do consumidor brasileiro, que anda mal das pernas?
A resposta divide especialistas. O embargo decorre de exigências rígidas do bloco europeu sobre o uso de antimicrobianos. Com o bloqueio, toneladas de carne bovina e de frango que iriam para a Europa precisam de um novo destino.
Para o economista José Luis Oreiro (UnB), a consequência direta para o consumidor local pode ser positiva. O redirecionamento dos volumes excedentes deve aumentar a disponibilidade imediata no mercado interno, pressionando as margens dos frigoríficos e barateando o produto no supermercado.
Por outro lado, especialistas em comércio exterior, como Celso Figueiredo, pedem cautela. Como a União Europeia representa uma fatia menor das exportações brasileiras se comparada à China — que importou mais de 2,1 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, contra 231 mil toneladas dos europeus —, a redistribuição pode ser absorvida por outros parceiros globais, como os Estados Unidos e países do Oriente Médio, sem gerar um impacto expressivo nos preços locais.
O cenário por setor:
- Carne de frango: Liderada por estados como Paraná (40,76% dos embarques) e Santa Catarina (23,28%), a cadeia espera reverter a suspensão já em novembro após auditoria europeia, acumulando perdas estimadas em US$ 243 milhões até lá.
- Carne bovina: O impacto pode ser mais prolongado. O ciclo de adequação às normas europeias pode levar até meados de 2028, gerando uma frustração de receitas de até US$ 1,82 bilhão no período.
Se o mercado interno vai sentir uma queda real nos preços depende, em última análise, do ritmo de absorção desses volumes por novos mercados compradores e da própria força do consumo doméstico.
Redaçao plenarioemfoco / com reportagem de Reportagem: Paloma Custódio/Brasil61 > imagem gerada por IA
