
As eleições e, principalmente, os comentários que surgem depois delas nos ajudam a compreender melhor o papel da comunicação neste mundo globalizado. Hoje, as fronteiras entre jornalismo, opinião, influência, entretenimento e militância política estão cada vez mais misturadas — e, muitas vezes, confundidas.
A revolução digital democratizou a produção de conteúdo. Com um celular na mão, qualquer pessoa pode criar um canal, publicar informações e alcançar milhares ou até milhões de pessoas. O problema é que essa facilidade também tornou menos visíveis as diferenças entre o jornalismo profissional, que exige apuração, checagem, responsabilidade e pluralidade de fontes, e os conteúdos produzidos simplesmente a partir de opiniões, interesses ou convicções pessoais.
O jornalismo sério passou a disputar espaço com influenciadores digitais, ativistas e militantes políticos, conteúdos que misturam informação e entretenimento e, em alguns casos, estruturas organizadas de desinformação.
Exemplo pratico
Na política, essa confusão pode ser ainda mais evidente. Um prefeito que se destaca pelo trabalho realizado e pelos avanços possíveis dentro das limitações de recursos de um município pode, naturalmente, incomodar adversários e grupos que enxergam a política por outra perspectiva.
Durante o período eleitoral, suas escolhas políticas passam a ser questionadas. Mas é preciso compreender que política também é feita de história, gratidão, compromissos, alianças e perspectivas de futuro. Em um cenário de partidos que mudam de posição, políticos que trocam de legenda e discursos que se transformam conforme as circunstâncias, um gestor pode decidir apoiar quem esteve ao seu lado no passado, quem considera preparado para o futuro ou simplesmente permanecer fiel ao partido que representa.
Isso não significa, necessariamente, que esteja apostando em uma vitória geral. Pode significar coerência com sua trajetória, reconhecimento por apoios recebidos ou identificação com um projeto político.
É justamente nesse ponto que a comunicação precisa ter cuidado. Quando um fato é analisado apenas pela superfície, sem observar o conjunto das ações e a trajetória dos envolvidos, abre-se espaço para interpretações equivocadas. E isso tem se tornado cada vez mais comum no ambiente político.
Como caminhar e qual seria a solução
A solução para essa confusão não parece simples. A globalização é uma onda que avança, trazendo informação, velocidade e novas formas de comunicação. Não será possível impedir a onda de chegar à beira-mar.
Talvez o caminho seja outro: aprender a identificar cada tipo de água antes de entrar no mar. Separar informação de opinião, jornalismo de militância, crítica de desinformação e fato de narrativa.
E, quando tudo parecer misturado, lembrar que a areia também tem seu papel: ela filtra, separa e purifica.
No mundo da comunicação, talvez a grande responsabilidade seja justamente essa: ajudar o cidadão a saber em que água está pisando.
Redaçao plenarioemfoco / imagem gerada por IA
