
Um verdadeiro trator chamado STF parece ter passado por cima do TSE. Em uma decisão monocrática, a determinação de acrescentar mais duas horas ao período de votação, a poucos minutos do encerramento previsto, coloca novamente o Brasil diante de um episódio de tensão eleitoral.
É mais um capítulo de uma disputa que já vinha carregada de expectativas, desconfianças, narrativas e enfrentamentos políticos. Afinal, até onde vão os limites entre as competências das instituições? Uma decisão dessa dimensão, tomada individualmente e tão próxima do encerramento da votação, não deveria provocar questionamentos sobre segurança jurídica, previsibilidade e respeito às regras eleitorais?
No desfecho das urnas, o PT volta a vencer, com Lula mantendo a Presidência da República e a esquerda permanecendo no comando do Executivo por mais um ciclo democrático.
Mas fica uma pergunta que não pode ser ignorada: quando as instituições entram no centro de uma disputa dessa proporção, quem protege a confiança do eleitor?
A democracia não pode ser apenas o argumento de quem vence, nem uma bandeira levantada conforme a conveniência política. Ela precisa ser respeitada antes, durante e depois das eleições. O voto popular deve ser soberano, mas as regras do jogo também precisam ser claras, estáveis e respeitadas por todos.
No Brasil, a disputa termina nas urnas, mas o debate sobre os limites institucionais e a credibilidade da democracia continua.
Redaçao plenarioemfoco /imagem gerada por IA
