
Elas estão na área e prometem movimentar os corredores do Congresso Nacional. Com uma presença feminina maior no Legislativo a partir de 2027, mulheres parlamentares e lideranças empresariais começam a organizar uma nova frente de atuação política, com propostas voltadas à autonomia, à independência financeira, ao empreendedorismo e à defesa dos direitos das mulheres. É o Brasil de saia no poder, com uma força que promete ganhar espaço e voz nas decisões de Brasília.
A ampliação da bancada feminina na Câmara dos Deputados representa um novo cenário para a próxima legislatura. A partir de 1º de fevereiro de 2027, a Casa deverá contar com 109 deputadas, o equivalente a 21,25% das 513 cadeiras. Um crescimento que, na avaliação das próprias parlamentares, precisa ir além dos números e se transformar em resultados concretos para a sociedade.
A deputada federal reeleita Coronel Fernanda (PL-MT) chama atenção para a necessidade de transformar o crescimento da representação feminina em pautas que garantam independência e autonomia às mulheres. Afinal, ocupar mais cadeiras é importante, mas fazer a diferença na vida de quem está do lado de fora do Congresso é o verdadeiro desafio.
Entre as novidades está a articulação para criar, em 2027, uma frente parlamentar mista voltada à mulher empreendedora. A proposta é promover reuniões mensais em Brasília, aproximando parlamentares, empresárias e entidades representativas para discutir projetos, acompanhar votações e tirar do papel iniciativas que fortaleçam os negócios liderados por mulheres.
Na pauta estão medidas para ampliar o acesso ao crédito, oferecer capacitação empresarial, simplificar processos regulatórios e garantir segurança jurídica. A intenção é destravar projetos que aguardam votação e transformar antigas reivindicações em políticas públicas.
Três propostas já estão no radar: o PL 2.632/2026, que prevê diretrizes para expansão do crédito e capacitação de empreendedoras; o PL 674/2022, que cria o Fundo de Empreendedorismo Feminino; e o PL 4.248/2025, que trata da responsabilização por crimes de violência patrimonial no contexto doméstico.
O debate também coloca em evidência uma questão muitas vezes silenciosa: a dependência financeira e a violência patrimonial. A senadora eleita Gracinha Caiado (União-GO) defende que combater esse problema é fundamental para romper ciclos de dependência e garantir às mulheres o controle sobre o próprio dinheiro e suas conquistas.
A iniciativa reúne parlamentares de diferentes partidos e lideranças dos setores do comércio, da indústria e do agronegócio. O objetivo é construir uma agenda suprapartidária capaz de transformar reivindicações em propostas legislativas.
Agora é esperar para ver se a força feminina vai fazer barulho e produzir resultados. Brasília poderá ganhar uma nova dinâmica política, com mais mulheres na mesa das decisões e uma agenda que promete cobrar espaço, respeito, oportunidades e independência. Porque não basta aumentar a bancada: é preciso fazer valer a voz e os direitos de quem representa.
Redaçao plenarioemfoco / com informações de Álvaro Couto/Brasil61 > Foto: Wenderson Araujo/CACB
