
Encerrada a disputa eleitoral, chega a hora de olhar para os números, abrir as contas públicas e enfrentar os desafios que aguardam o Brasil a partir de 2027. E, pelo que apontam as projeções econômicas, o bicho vai pegar! Independentemente de quem estiver no comando do país, a realidade fiscal exigirá decisões difíceis, responsabilidade administrativa e, acima de tudo, capacidade de governar.
Um dos alertas mais preocupantes vem da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal. Segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF nº 116), publicado em setembro de 2026, o governo federal poderá ser obrigado a bloquear R$ 35,7 bilhões em despesas discricionárias para assegurar o cumprimento do piso estabelecido pelo arcabouço fiscal em 2027.
O número merece atenção. Não se trata de um bloqueio já determinado pelo governo, mas de uma projeção técnica da IFI. Ainda assim, o alerta revela a dimensão do desafio que estará sobre a mesa do próximo governo.
A distância entre as expectativas do Executivo e as projeções da IFI também chama atenção. Enquanto o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, a instituição estima um déficit de R$ 86,1 bilhões. Uma diferença de R$ 104,8 bilhões que acende o sinal vermelho para o equilíbrio das contas públicas.
O cenário fica ainda mais delicado quando entram em discussão os indicadores econômicos. O governo trabalha com crescimento do PIB de 2,5%, inflação de 3,6% e expansão de 10,1% da massa salarial. Já a IFI apresenta projeções mais conservadoras: crescimento econômico de 1,8%, inflação de 4% e avanço salarial de 7,3%.
Outro ponto de preocupação está nas despesas obrigatórias, especialmente nos precatórios, que continuam pressionando o orçamento. A IFI também identifica riscos na previsão de recursos destinados ao pagamento de sentenças judiciais em 2027, considerada inferior à dotação estabelecida para 2026.
Enquanto o Executivo aposta na revisão contínua de despesas para melhorar o equilíbrio fiscal, os números indicam que a margem de manobra do orçamento continuará apertada. E quando falta espaço nas contas públicas, as escolhas ficam mais difíceis: o que preservar, onde economizar e como garantir investimentos sem comprometer os serviços essenciais?
É aí que começa o verdadeiro teste político e administrativo do Brasil.
Passada a euforia das urnas, não haverá discurso de campanha capaz de esconder a realidade dos números. Será preciso administrar receitas, controlar despesas, honrar compromissos obrigatórios e encontrar espaço para investimentos. A população continuará cobrando saúde, educação, segurança, infraestrutura e oportunidades de emprego, independentemente de quem tenha vencido a eleição.
O Brasil de 2027 precisará de muito mais do que promessas, alianças e disputas pelo poder. Precisará de gestão eficiente, responsabilidade fiscal e decisões que não transfiram, mais uma vez, a conta para o bolso do cidadão.
Afinal, depois da festa democrática, vem a realidade. O dinheiro precisa fechar, as contas precisam ser pagas e o país precisa continuar funcionando.
Na vitória eleitoral, não vem apenas o bônus do poder. Vem também o ônus da responsabilidade de governar. E quem assumir o comando do Brasil terá uma conta pesada para administrar. O bicho vai pegar!
Redaçao Plenarioemfoco / com informações de Marquezan Araújo/Brasil61 > Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
