
Muito além dos campos de futebol, o verdadeiro “Pra Frente, Brasil” que precisamos em 2026 está no desenvolvimento científico e tecnológico. O cenário é promissor: o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) prevê destinar mais de R$ 17 bilhões para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) este ano. O volume de recursos é inédito, mas há um grande gargalo no caminho: a burocracia.
Para que esse dinheiro se transforme em riqueza real, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou o documento “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis”. O diagnóstico é claro: recursos sem agilidade não geram inovação.
O Peso do Custo Brasil nas Micro e Pequenas Empresas
As micro e pequenas empresas (MPEs) são as que mais sofrem. Exigências de garantias reais complexas (como bens e aplicações) e processos lentos sufocam quem quer inovar. Como bem pontua o presidente da CNI, Ricardo Alban, essa burocracia alimenta o Custo Brasil, drenando a capacidade de investimento e encarecendo o que o brasileiro consome.
“Devemos enfrentar as amarras estruturais que encarecem a produção no país. O Custo Brasil drena a capacidade de investimento das empresas.” – Ricardo Alban, presidente da CNI.
O Diagnóstico dos Industriais
Pesquisa da CNI revela que 36% dos empresários industriais veem a burocracia como o principal obstáculo para acessar incentivos à inovação. O problema é ainda mais crítico no Nordeste (48%) se comparado ao Sudeste (32%). Além disso, impressionantes 42% dos industriais sequer tentaram acessar esses instrumentos públicos.
Entre os principais entraves apontados estão:
- Tempo de espera: O intervalo entre a aprovação e a liberação da verba pode chegar a 18 meses — uma eternidade para o ritmo tecnológico atual.
- Limitações da Lei do Bem: Por estar atrelada ao regime de Lucro Real, o mecanismo exclui mais de 90% das indústrias brasileiras.
O Caminho do Futuro: Desburocratização Radical
Para reverter o cenário, a CNI propõe:
- Fluxo Contínuo: Substituir editais tradicionais por análises permanentes de projetos.
- Garantias Flexíveis: Substituir garantias reais por fundos garantidores de crédito, focando no mérito técnico do projeto e não no patrimônio da empresa.
- Fundos Regionais: Utilizar royalties para descentralizar o financiamento e respeitar as vocações de cada região.
Inovação exige velocidade. O dinheiro existe; agora, precisamos de inteligência e agilidade administrativa para fazer o Brasil avançar de verdade.
Redacao Plenarioemfoco / com informações de Paloma Custódio Brasil61 > foto Tomaz Silva Agencia Brasil
