
Depois de muita turbulência política, disputas eleitorais e votações cercadas de interesses que nem sempre parecem refletir as verdadeiras prioridades da população, Brasília tenta virar a página. Na Câmara dos Deputados, lideranças partidárias começam a ensaiar um novo discurso: diálogo, composição, governabilidade e, quem sabe, um pouco de paz e harmonia no plenário.
Terminadas as eleições, parece que chegou a hora de baixar a temperatura, sentar à mesa e pedir uma espécie de perdão político. Governistas procuram aliados, oposicionistas prometem responsabilidade e até adversários históricos começam a admitir que será necessário conversar. Afinal, governar um país exige mais do que discursos inflamados, disputas de poder e interesses partidários.
O vice-líder do PT, deputado Airton Faleiro (PT-PA), aposta na força política da vitória de Lula e na capacidade de negociação do presidente. Já o deputado Bohn Gass (PT-RS) defende o diálogo inclusive com setores da direita que respeitam a democracia.
Do outro lado, o PL também sinaliza que a oposição precisa ter responsabilidade, mas sem abandonar os compromissos assumidos durante a campanha. O deputado Alberto Fraga (PL-DF) defende uma oposição propositiva e cobra coerência dos parlamentares que estiveram contra a esquerda nas urnas. Já Kim Kataguiri (Missão-SP) reconhece que o momento exige construção política, inclusive diante dos ajustes econômicos que o país terá de enfrentar.
Entre as possíveis pautas de aproximação está a segurança pública, mas as diferenças continuam presentes, especialmente quando entram em discussão temas como a redução da maioridade penal, a composição das forças políticas e os espaços de poder na Câmara.
Enquanto os parlamentares ensaiam uma nova coreografia em Brasília, o povo também começa a organizar seus próprios passos. Depois de tantas promessas, esperanças, sonhos e desilusões, o eleitor observa, cobra e espera resultados. Afinal, quem passou pela maratona eleitoral sabe que não basta pedir o voto, prometer mudanças e depois esquecer os compromissos.
É como na dança popular: “pezinho na frente, pezinho para trás”. Um movimento de aproximação, outro de recuo. Na política, porém, o povo não quer apenas assistir à dança dos partidos. Quer saber quem realmente vai trabalhar pelo país.
A pergunta que fica é: essa nova disposição para o diálogo representa um compromisso verdadeiro com a governabilidade e os interesses nacionais ou apenas mais um capítulo da dança pelo poder?
Porque as urnas já deram o recado. Agora, é a vez de Brasília mostrar serviço.
Redaçao plenarioemfoco / com informações da Agencia Câmara > Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
