
As urnas encerraram a disputa eleitoral, mas o mercado financeiro parece ter iniciado seu próprio julgamento. E, pelo comportamento dos investidores, o resultado não trouxe tranquilidade à economia brasileira. O dólar voltou a ganhar força, enquanto a Bolsa de Valores ampliou as perdas, mostrando que a política continua tendo reflexos diretos no bolso e nas expectativas do mercado.
Nesta terça-feira (3), o dólar comercial avançou 0,74%, fechando cotado a R$ 5,486, depois de ultrapassar a marca de R$ 5,50 durante o pregão. Já o Ibovespa recuou 1,42%, aos 165.528,92 pontos, acumulando a sexta sessão consecutiva de queda e alcançando seu menor patamar desde janeiro.
O recado dos números é claro: a confiança dos investidores ainda está longe de encontrar estabilidade. As incertezas sobre a condução da política fiscal, os rumos da economia e as expectativas em torno da taxa básica de juros mantêm o mercado em estado de atenção.
Enquanto o governo defende um ajuste fiscal gradual, os investidores cobram sinais mais consistentes sobre o controle das contas públicas. No radar também estão as discussões sobre mudanças no regime monetário, a valorização internacional da moeda americana e a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
E o brasileiro, como fica nessa história? Quando o dólar sobe, os efeitos podem chegar às prateleiras, aos combustíveis, aos produtos importados e, consequentemente, ao custo de vida da população. A Bolsa em queda também representa um sinal de cautela diante das perspectivas econômicas.
A expectativa agora se volta para o Banco Central e sua decisão sobre a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, além dos sinais que serão apresentados para os próximos meses.
De George Washington, estampado na nota de um dólar, a Benjamin Franklin, presente na nota de cem dólares, a moeda americana continua exercendo seu reinado sobre a economia mundial. No Brasil, passada a festa das urnas, começa a cobrança da realidade econômica.
Na política, o voto escolhe o governante. No mercado, a confiança precisa ser conquistada. E essa conta, no fim das contas, também chega ao bolso do cidadão.
Redaçao plenarioemfoco / com informações de Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil > foto: Valter Campanato/Agência Brasil
